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Os quatro níveis de leitura | Por Gabriel Carvalho

Dando sequência à nossa série de textos “Leia mais e melhor”, falaremos sobre os quatro níveis de leitura. Já tendo visto a importância da leitura e alguns princípios básicos a respeito dela, precisamos avançar para uma proposição mais prática. Ok, já entendemos que a leitura é importante, mas como posso ler melhor? O entendimento a respeito dos quatro níveis de leitura nos ajudará nesse processo.

O primeiro nível é a “leitura elementar” (ou rudimentar, básica, inicial): trata-se do processo de alfabetização, aquele treinamento básico de leitura para decodificação de palavras impressas no texto. É o tipo de leitura das crianças aprendendo o seu idioma, ou mesmo de adultos aprendendo novos idiomas. Por exemplo, a frase “O violão deitou no tapete”. O leitor elementar ainda não está preocupado em saber se violões deitam, ou se gostam de tapetes etc. Nesse nível de leitura, a pergunta que o leitor faz é: “O que diz a frase?”. A pergunta até poderia ser difícil, mas o sentido que buscamos aqui é o mais simplório possível. Como se trata de um estágio muito inicial, não trataremos esse nível de leitura de forma mais aprofundada, focando-nos nos demais níveis.

O segundo nível é a “leitura inspecional”: trata-se do “escaneamento” do livro, aquela leitura de certos pontos do livro para melhor compreensão. É uma folheada com propósitos. Esse nível tem o fator tempo como característica principal – extrair o máximo possível de um livro num determinado período – em geral, um tempo relativamente curto. Normalmente, por definição, esse período curto é insuficiente para que extraiamos do livro todo o seu potencial. Esse nível também poderia ser chamado de pré-leitura. É preciso folhear de forma ordenada e direcionada, tendo em mente a pergunta “O livro é sobre o quê?”. Muitas pessoas – até mesmo leitores experientes – em geral desprezam o valor da leitura inspecional.

O terceiro nível é a “leitura analítica”: trata-se de uma atividade mais complexa e sistemática que as anteriores. É chegada a hora de encarar a leitura de forma mais detida, mais atenciosa, prestando atenção nos detalhes. É a melhor e mais completa leitura possível em um período ilimitado de tempo. A leitura analítica formula, de modo organizado, muitas perguntas, de acordo com o livro que está sendo lido. É sempre intensamente ativa. Ler um livro analiticamente significa mastigá-lo e digeri-lo. Essa leitura não tem como objetivo mero divertimento, mas crescimento em conhecimento. A leitura analítica é destinada exclusivamente a entender o livro.

O quarto e último nível é a “leitura sintóptica”: este é o tipo mais complexo e sistemático de leitura. É uma leitura crítica, comparativa, visando o entendimento de um assunto de forma mais ampliada – o que implica a leitura de muitos livros, ordenando-os mutuamente em relação a um assunto sobre o qual todos versem. Ler sintopicamente é mais do que uma mera comparação. Esse tipo de leitor estará apto a desenvolver uma análise que talvez não esteja em nenhum dos livros. Está claro, portanto, que a leitura sintópica é a mais ativa e trabalhosa de todas, e deverá ser praticada por aquele que já passou e tem experiência nos outros níveis de leitura.

Você pode ter achado tudo isso muito complexo, e talvez tenha dado a impressão de que ler bem é difícil. Porém, nos próximos textos explicaremos melhor as características e desafios das leituras inspecional, analítica e sintópica, a fim de esclarecer e definir os marcos de uma boa leitura, de forma que você possa se desenvolver e crescer como leitor e apreciador da leitura. Deus abençoe a sua vida!

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