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Ortodoxia Graciosa | Por Walter McAlister

Recentemente tenho ouvido sobre líderes e influenciadores cristãos que passaram por crises e acabaram deixando suas raízes ortodoxas. Começam a pedir desculpas a grupos que representam posições contrárias à fé cristã dos antigos e afirmam ter descoberto um lado mais tolerante e misericordioso de Deus, que não fazia parte da imagem que receberam no seu berço espiritual, na igreja da sua infância e juventude.

Crises são estações da vida repletas de promessa e de perigo. A promessa das crises mora na possibilidade de limpar o que é carnal da nossa mente e da nossa cosmovisão. A Bíblia está cheia de pessoas que passaram por crises e foram redirecionadas pelo Espírito de Deus. Elias queria morrer. Deus o encontrou e lhe deu novos motivos de vida e missão. Paulo teve um encontro com Deus que o deixou em crise. Ficou cego até que, após a visita de um certo discípulo chamado Ananias, foi curado e batizado seguindo então no caminho de Cristo. Outros tiveram crises que não acabaram bem. Saul não conseguiu esperar por Samuel e na crise fez uma escolha errada fazendo com que perdesse o reino e fosse quebrada a sua linha real. Na crise de não ouvir a voz de Deus, procurou uma necromanta para consultar Samuel do mundo dos mortos. Deus o condenou, pois procurou no lugar errado.

Nas crises temos que lembrar que as pessoas a quem recorremos são fundamentais para que saiamos do lado certo da questão que nos lançou por chão. Os líderes que têm abandonado a fé dos antigos me causam muita dor. Sei que provavelmente foram influenciados por pessoas de fora da fé; a prova mora no que eles concluíram. E ao abraçarem crenças francamente anticristãs, afirmam que sua nova postura é fruto de uma luz nova sobre Deus e que os ortodoxos não compreendem. Fazem parecer que os ortodoxos são impiedosos e sem misericórdia ao afirmarem a realidade do pecado e da certeza de juízo.

Ora, é uma mensagem dura, mas é uma realidade dura. A mensagem não pode jogar um verniz sobre uma realidade terrível. Jesus veio ao mundo não para legitimar a todos. Ele veio ao mundo para salvar pecadores perdidos. Eis a essência do amor e da misericórdia de Deus. Há enorme misericórdia em dizer que pessoas estão erradas se o seu erro está as levando para a perdição eterna. Não há crueldade nisso. Mas há sim crueldade em dizer ao perdido pecador que o seu rumo é perfeitamente legítimo e que Deus tolera tudo e todos e que, no fim, nada disso fará a menor diferença. Isso sim é cruel.

Mas em tudo isso, creio que há lacunas no campo ortodoxo. Há pessoas mais empenhadas em debater teologia do que em resgatar vidas. Enquanto defendemos a fé, temos que chorar com quem chora também. Temos que ser movidos pelo Espírito Santo de Deus, que é um espírito misericóridoso e cordato. Tenho visto muito fel derramado em nome da defesa da verdade. Mas, verdadeiros profetas não gritam e não rangem os dentes. Verdadeiros profetas choram e oram.

Temos muitos escribas em nossos tempos: são defensores da sua leitura das Escrituras. Eles falam do que leram. Sua voz é estridente. Levantam a verdade como uma pedra afiada e cortante. Mas o profeta fala do que ouve. Sua voz tem o som de lágrimas e tem o espírito manso e suave do Mestre que chama, “eis que bato a porta…”

Queria chegar nesses líderes e influenciadores e abraçá-los e dizer que a culpa da sua crise não é a verdade, mas os portadores que nem sempre falam com carinho e compreensão. E os que falam manso as mentiras podem acalmar os ânimos, mas há morte nas suas consolações. Afinal, há graça na ortodoxia. E há veneno na tolerância de toda e qualquer coisa que procura se legitimar a despeito da Palavra de Deus.

WM

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