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A Escola Dominical faliu?

Há uns anos, passando em frente ao meu antigo colégio, percebi que havia uma escola com outro nome naquele lugar. Ao pesquisar na Internet, fui surpreendido com o fato de que meu antigo colégio havia falido. Em meio à nostalgia das memórias afetivas daquele local, parei para refletir sobre as razões pelas quais uma escola fecha suas portas, e as possíveis razões que encontrei estão elencadas mais à frente neste texto.

Mas o que a Escola Dominical tem a ver com isso? Apesar de suas peculiaridades, a EBD é uma escola. E, de alguma forma, a soma de fatores que leva um colégio à falência é o que pode levar a Escola Dominical de nossas igrejas à “falência” também. Algumas já estão “respirando por aparelhos”, somente esperando alguém que saia e apague as luzes. Outras estão tentando resistir bravamente, mas seus colaboradores estão cansados e a ponto de entregar suas responsabilidades.

Para encontrar uma solução, é sempre válido fazer um diagnóstico daquilo que não está dando certo. Vejamos algumas razões:

1) Falta de liderança: os proprietários de meu antigo colégio eram ligados à família de um político da região que alçou altos voos na política. Isso certamente desviou o foco deles da instituição escolar. Muitas vezes pastores e líderes estão tão engajados com outras iniciativas na igreja ou mesmo em sua vida pessoal que acabam não dando a devida atenção ao setor de ensino da igreja, especialmente a Escola Dominical. A falta de valorização da liderança da igreja inevitavelmente leva a uma desvalorização por parte da membresia da igreja, de forma geral. Por outro lado, um incentivo pastoral ao estudo e comparecimento na EBD pode ser um fator de ânimo para muitos que ainda não a frequentam.

2) Falta de investimento: desde que eu me entendia por gente, o meu colégio era da mesma forma, com a mesma quantidade de alunos. Não havia investimento para a chegada de novos alunos, ou para maior visibilidade da instituição. No contexto da igreja, a falta de investimento se torna uma consequência da desvalorização do ensino por parte da liderança. E investir não significa necessariamente injetar dinheiro em áreas sensíveis à EBD – muitas igrejas que passam por apertos financeiros conseguem fazer proezas com os recursos que possuem. A essência do investimento é fazer do pouco, muito. Porém algumas igrejas possuem muito, mas fazem muito pouco.

3) Falta de estrutura: as aulas de Educação Física de meu antigo colégio eram feitas na quadra do condomínio vizinho. Para chegar lá, as crianças passavam pela rua, expostas à insegurança da cidade. Isso certamente afastava o interesse de determinados pais em colocar seus filhos nessa escola. De forma semelhante, nossas salas de aulas e outros espaços de ensino por vezes estão precários, com ambientes pouco atrativos ao aprendizado. Quadros antigos e manchados, canetas sem tinta, indisponibilidade de uso de um projetor de slides, carteiras inadequadas, climatização insuficiente, iluminação precária, dentre outros problemas. Ter uma estrutura adequada (e por vezes até mesmo confortável) pode não ser condição obrigatória para a instalação de uma Escola Dominical, mas certamente é um fator de atração e até mesmo de um melhor aprendizado.

4) Falta de professores preparados: na época em que estudava, tive grandes professores, que lecionavam com prazer e conhecimento de sua matéria. Infelizmente muitos deles saíram de lá quando as coisas começaram a desandar. Da mesma forma, quando não há incentivo da liderança, investimento e estrutura, muitos acabam desanimando. É certo que um mestre na igreja não deve ser levado a trabalhar apenas em condições ideais, porém muitos estão há anos (quem sabe, décadas) lutando por melhores condições, trabalhando horas a fio para capacitar os irmãos na Palavra, sem conseguir ver melhorias na valorização da Escola Dominical. Com isso, alguns ficam pelo caminho.

5) Falta de alunos: trata-se da derradeira motivação para a falência de minha antiga escola. Contudo, essa motivação não se apresentou sozinha, antes foi a consequência final de todos os fatores acima elencados – todos os outros quatro pontos desembocaram numa decadência do número de alunos até a situação se tornar insustentável. Uma escola não sobrevive sem alunos. A alma de uma escola é o aprendizado, e sem os alunos, o aprendizado é nulo.

Infelizmente, o cenário em muitas de nossas EBD’s não é diferente: salas esvaziadas, pessoas desinteressadas, situações por vezes calamitosas. Faça uma pesquisa em sua igreja: acredito que a maioria maciça dos membros reconhece a importância de se frequentar a Escola Dominical. Agora faça o cruzamento desse dado com a frequência de alunos de suas classes. Por que os cristãos sabem que precisam, mas não frequentam a Escola Dominical?

A Escola Dominical faliu? Ela está em seus últimos suspiros? De quem é a culpa? Certamente os motivos elencados são relevantes para explicar, em parte, a situação crítica de muitas EBD’s em nossas igrejas. Porém, acima de tudo, cremos que, diferente de meu antigo colégio, há um fator que pode reverter essa situação: o real interessado nessa Escola pode mudar esse cenário. Deus tem poder para reavivar nossas classes com gente que tem sede pelas Escrituras.

O nosso papel é estar atento a tudo o que foi falado até aqui, mas também devemos orar e colocar diante de Deus o ensino de nossas igrejas, rogando a Ele uma liderança que valorize a Escola Dominical, professores engajados e vibrantes, bem como um despertamento em nossos membros a respeito da importância de conhecer mais e mais da Palavra de Deus. Esse é o nosso desafio!

Deus o abençoe

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