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A sala de aula é um Big Brother | Por Gabriel Carvalho

Normalmente, a privacidade é um direito muito estimado pelos indivíduos. Não há nada mais seguro e confortante do que manter certas coisas de nossas vidas protegidas do escrutínio público. Privacidade é manter as suas coisas sob controle. E todo ser humano descendente de Adão e Eva gosta de estar no controle. Mas e os professores? Será que a vocação do magistério permite resguardar as suas privacidades?

Muito antes de nomear um famoso reality show, a expressão Big Brother ganhou notoriedade no livro 1984, de George Orwell. Na sociedade descrita pelo autor, as pessoas estavam em constante vigilância pelos governantes e autoridades, que faziam questão de lembrar a população por meio da frase: “Big Brother is watching you” (“O Grande Irmão está te observando”, tradução livre).

A sala de aula é um Big Brother. O professor, assim como os cidadãos do livro de Orwell, estão totalmente expostos diante de seus alunos. É difícil esconder algo deles quando se está tão em evidência. Todos os holofotes estão na figura do mestre. E isso pode trazer boas e más consequências. Se o professor alcançará um resultado ou outro, isso dependerá de sua capacidade de reconhecer o fato de que sua vida, integralmente, está posta diante de sua classe.

Essa exposição pode ser negativa, caso o mestre tente parecer algo que não é. Nenhuma máscara, ou personagem criado, persiste por muito tempo dentro de sala de aula. Precisamos parar de pensar que nossos alunos são gente ignorante e desavisada. Mais do que nunca, eles estão crescentemente perspicazes, analíticos, observadores. Se algo que você fala não coaduna com o que você faz (ou se você está fingindo algo para que seja compatível), em uma hora ou outra a verdade virá à tona e o mestre será desmoralizado diante de todos.

Contudo, essa exposição em sala pode ser positiva. Nós, os professores, não temos noção do potencial e capacidade de influência que temos sobre os alunos. Somos predispostos a pensar no processo de aprendizagem como uma relação de consumo: os alunos só se relacionam com o professor para receber o conhecimento que desejam/precisam, e nada mais. É uma ingenuidade e uma falta de noção da realidade pensar assim.

Os alunos, não importa a idade, estão sedentos de exemplo. O crescente número de famílias desestruturadas e sem valores é assustador, e muitos de nossos alunos são frutos disto. É nosso papel sermos exemplo para eles. Aliás, querendo ou não, seremos um exemplo: negativo ou positivo.

Diante deste cenário, é urgente perceber a oportunidade que temos de influenciar positivamente nossa classe – o que vai além de uma boa aula e uma boa transmissão de conteúdo (o que é obrigação de todo professor que leva a vocação a sério); devemos aproveitar a total exposição de nossa figura em classe, para que eles vejam nosso caráter, a forma como reagimos às situações, a nossa fé diante das circunstâncias, o caráter humano presente em nós, o carinho devotado a eles, a preocupação em fazê-los progredir.

Querido Mestre, toda vez que entra em sala você está sendo observado. Seus alunos são o Big Brother da sua vida. Cabe a você, agora, decidir que vida e que caráter eles verão com seus próprios olhos. Para o bem ou para o mal, o professor está exposto de forma sem igual. Deus abençoe a sua vida!

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