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A vida de conflito de todo cristão | Por Walter McAlister

Digo, porém, o seguinte: vivam no Espírito e vocês jamais satisfarão os desejos da carne. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito luta contra a carne, porque são opostos entre si, para que vocês não façam o que querem.

Gálatas 5:16,17

O cristão normal e verdadeiro não vive inteiramente em paz no seu íntimo. Há dentro de todo cristão um conflito. Esse conflito não é causado pelo mundo, pelas aflições desta vida ou pelo mal que nos rodeia. Todos sofrem disso, tanto o cristão quanto o não-cristão. É claro que quem está em Cristo nova criatura é e tem paz com Deus. Foi a obra da cruz que assegurou essa condição, como disse Paulo: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo…” (Rm 5:1). Ter paz com Deus quer dizer que temos acesso a Ele. Podemos entrar na sua presença com ousadia, até. Mas o conflito do qual falo diz respeito aos desejos que ainda residem no coração.

Queremos o que queremos. Mais do que um desejo, somos formados por paixões ensandecidas pelo mundo, pelos olhos, pela carne e pela soberba da vida. São impulsos de desejo, medo, raiva e coisas mil desse gênero. E essas coisas “naturais” são inimigas de uma vida espiritual, são inimigas dos impulsos provindos do Espírito de Deus. Ele nos constrange ao amor, à paciência, à moderação, à domínio próprio, ao sacrifício, enfim à piedade – vivendo nossa vida à luz e na presença perceptível de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.

Há momentos nos quais vivemos em trégua. O coração descansa. Parece que tudo vai bem. As tentações foram vencidas. Estamos de bem com todos. Oração flui como um rio do nosso íntimo a Deus. De repente alguém nos provoca, faz uma acusação infundada, injusta e ofensiva. E aí, os brios… Surge em nós palavras pouco cristãs, e se não forem faladas, pelo menos são pensadas. O coração perde a serenidade. E se não vigiarmos acabamos causando perdas e danos. É um exemplo apenas, claro, pois as paixões que uivam no nosso peito são inumeráveis. E quando vencemos uma, outra está nos bastidores pronta para aflorar e se impor.

Por isso, a vida espiritual é uma disciplina constante, não pode ser construída de alto em alto. Tem que ser uma espiritualidade de trincheira. Tem que ser uma espiritualidade de caminhada diária, expressada tão regularmente como o hábito de escovar os dentes ou de tomar banho. Não tomamos banho somente quando estamos cheirando mal, causando nojo e nos levando correndo para o chuveiro. Fazemos isso por hábito e por precaução sabendo que se não o fizermos, acaberemos sendo ofensivos para todos que nos rodeiam.

Assim oramos, sabendo que se não o fizermos, os inimigos da nossa alma ou do nosso espírito – que moram no nosso íntimo – ganharão um dia de vantagem e, antes que nos apercebamos, nos veremos em encrencas tendo que pedir perdão a Deus e o mundo por mais uma ofensa. Antes que demos conta, nossa alma estará ferida e suja. Temos que vigiar. O inimigo jáz à porta. O coração é por demais enganoso. Mas quem vigiar e orar verá a própria mão de Deus agindo em sua vida, terá resposta às suas orações. E seu espírito estará forte e saudável. E um dia, quando chegar o fim, estaremos em paz para todo sempre.

WM

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