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Orando para a glória de Deus – Parte III: Alegria

Por Marcelo Maia

Alegria é uma daquelas virtudes cristãs que tem sido muito mal entendida em nosso tempo. Confundimos o fruto gracioso produzido pelo Espírito com uma euforia quase carnal ou com uma mascarada face sorridente que expomos aos que estão à nossa volta. Confundimos a busca da alegria genuinamente bíblica com uma ambição narcisista de felicidade a qualquer preço. Quase estranhamos as palavras do antigo hino:

Se paz a mais doce eu puder desfrutar
Se dor a mais forte sofrer.
Oh, seja o que for
Tu me fazes saber
Que feliz com Jesus sempre sou.

Como podemos entender, então, a alegria conforme revelada nas Escrituras? Ao orar por seus discípulos, Jesus nos leva ao cerne da alegria (João 17.13):

“Agora vou para ti, mas digo estas coisas enquanto ainda estou no mundo, para que eles tenham a plenitude da minha alegria.”

Que pedido glorioso! O Senhor ora para que experimentemos a sua alegria de forma plena, abundante. E isso, não esqueçamos, traz glória ao Pai. Portanto, podemos dizer que Deus é mais glorificado quanto mais nos alegramos nEle, quanto mais temos a plenitude da alegria de Jesus. Mas, que alegria é essa da qual Jesus fala como sendo plena e sua? Examinemos por um instante o texto de Hebreus 12.3, segunda parte:

“Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus.”

Embora o autor não se detenha muito sobre o que seja a alegria, sabemos que ela fora proposta a Jesus. Por causa dessa alegria, Ele foi capaz de desprezar a vergonha e suportar a cruz, sendo recompensado com o lugar de honra e glória à destra do trono de Deus. Assim, para obter a alegria que Deus havia planejado para ele, Jesus obedientemente sofreu a morte de cruz.

Segundo Simon Kistemaker , a cláusula “a alegria que lhe estava proposta” parece apontar para o futuro. Ela se relaciona com a exaltação de Jesus quando Ele foi glorificado depois de sua morte na cruz. Como um profundo conhecedor do Antigo Testamento, o autor aos Hebreus certamente tinha diante de si o Salmo 16.11:

“Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita.”

O mais extraordinário é que essa passagem é citada pelo apóstolo Pedro em Atos 2.28 como um testemunho da ressurreição de Cristo anunciada profeticamente por Davi. Então fechamos o quadro. A alegria proposta a Jesus (e sua alegria plena em João 17) é a alegria do eterno prazer da presença de Deus, da qual fala o Salmo 16. John Piper nos ajuda a entender o significado disso:

“A felicidade mais profunda e permanente encontra-se apenas em Deus. Não com origem em Deus, mas em Deus.”

Quando Jesus ora por nós e quando nós oramos por alegria, devemos ter em mente que essa virtude cristã só existe de forma completa na presença de Deus, que nos satisfaz plenamente. Agostinho expressava exatamente essa verdade quando escreveu:

“Tu nos despertaste para o prazer de te louvar, pois nos criaste para ti, e o nosso coração não tem sossego enquanto não repousar em ti” .

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