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O Poder da Lógica | Por Marcelo Maia

Os filmes de heróis estão em alta; é um gênero que atrai crianças, jovens e adultos. Eu mesmo já assisti todos os da série Vingadores com minha família.

Uma das coisas interessantes de se ver é como cada herói foi dotado de um poder específico, seja a capacidade de lutar com habilidade, uma super força, a destreza de manejar armamentos ou o dom de controlar objetos. Todos esses poderes se completam e, quando usados em batalhas contra o mal, elevam a adrenalina de qualquer espectador.

Nós, meros mortais não nascidos em Asgard, também temos acesso a um poder extraordinário, um poder espiritual chamado “lógica”. Como a lógica é um poder espiritual? Vamos falar sobre isso.

Nenhuma mentira procede da verdade, diz João em sua primeira carta. Conhecer a verdade só é possível se conhecermos aquele que é a Verdade, Jesus Cristo, o logos.

Assim, considerando o que já escrevemos anteriormente, a lógica nos conduz a pensar como Deus pensa. Como nos lembram Harvey e Laurie Bluedorn:

“O que afeta a mente também influi no espírito; e o que afeta o espírito também influi na mente. Assim, a lógica é um poder espiritual. Sem o poder espiritual chamado lógica somos incapazes de discernir a verdade do erro.”1

Reflita um instante sobre isso: conhecer a verdade e discerni-la é parte da nossa tarefa como cristãos nesse mundo. É uma questão de vida ou morte! E, para tanto, Deus nos concedeu um poder, o de raciocinarmos de modo correto.

Esse poder está ao alcance apenas daqueles que verdadeiramente experimentaram uma conversão. Embora os não salvos possam pensar de modo lógico em muitas ocasiões, o discernimento da verdade para estes permanece distante e obscuro, pois o poder espiritual de pensar corretamente depende da transformação do coração, de uma conversão que nos faça conduzir todo pensamento cativo a Cristo (2 Co 10.5). Somente a transformação sobrenatural produzida pelo Espírito pode transformar nossas mentes de forma a tornar nosso culto racional (Rm 12.1).

Assim, o poder espiritual da lógica só opera sob a direção espiritual do próprio Espírito Santo, que nos guia em toda verdade. A razão é serva do coração.

Novamente, como ensinam os Bluedorn, “não se pode conhecer a verdade separada da lógica. Rejeitar a lógica significa rejeitar a verdade, e rejeitar a verdade é rejeitar Deus.”2

Daí surge para nós cristãos o dever de desenvolvermos nossas mentes para a glória de Deus.

Diz John Piper:

“O dom do entendimento não substitui a meditação. Ele é aflorado por ela. A promessa de iluminação divina não é feita a todos. É feita aos que pensam: ‘Reflita no que estou dizendo, pois o Senhor lhe dará entendimento em tudo’.”3

Quais as implicações do estudo da lógica para nossa vida cristã?

Novamente, vamos nos apropriar da lição do casal Bluedorn:

“Onde não há lógica, não podem existir padrões absolutos, apenas valores relativos pessoais. Se a verdade se torna relativa em nosso pensamento, segue-se que a moral deve também se tornar relativa no pensamento.”

O relativismo contemporâneo é, portanto, um fruto do abandono do pensamento lógico (que nada tem a ver com racionalismo) e, por esse motivo, também abandona a verdade e mergulha o mundo em uma confusão de conceitos e valores jamais vista.

Diante disso, somos convocados pelo Logos a destruirmos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levarmos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo. (2 Co 10.5)

1 BLUEDORN, Harvey e Laurie. “Ensinando o Trivium: estilo clássico de ministrar a educação cristã em casa”. Monergismo, pg. 154. (Grifo do autor)

2 Op. Cit, pg. 163.

3 PIPER, John. “Irmãos, nós não somos profissionais”. São Paulo: Shedd Publicações

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