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O dilema da oratória | Por Gabriel Carvalho

Certa vez vi um experimento social na internet, em que se oferecia dois pacotes para uma pessoa; um todo bem embrulhado e bonito aos olhos, e o outro todo mal acabado, colocado dentro de uma sacola de supermercado. A maioria maciça das pessoas escolhia o embrulho bonito, que não possuía nada dentro, enquanto o embrulho feio possuía um produto de grande valor. Fico pensando se não é exatamente assim que acontece em nossas classes: por que temos professores com tanto conteúdo mas que são ignorados ou incompreendidos por seus alunos? Uma das respostas a essa pergunta se resume em uma palavra: oratória.
“O meio é a mensagem”, já dizia Marshall McLuhan. Todo bom professor dá prioridade a adquirir um conteúdo (mensagem) de qualidade, mas muitas vezes não se dedica tanto em pensar como esse conteúdo será transmitido (meio) aos seus aprendizes. Pensar na forma como falamos algo é importante, sob pena de sermos eternos inteligentes incompreendidos. A oratória é um meios mais sensíveis dentro desse tema.
O principal elemento envolvido é a voz. É crescente o número de pessoas com problemas genéticos ou congênitos na dicção – gagos, fanhos, ou mesmo pessoas cujo cérebro funciona mais rápido que a articulação das palavras. O fato é que pensar em como desenvolver uma melhor dicção se torna essencial, para que nossa mensagem seja melhor entendida. E para isso há profissionais treinados e especializados nesse ponto: nossos amigos fonoaudiólogos.
Ainda sobre a voz, por vezes o problema é com o timbre. Ora muito baixo, ora muito alto; deveras estridente, ou grave a ponto de tremer as cadeiras. Esse já é um problema mais complexo de ser resolvido, por se tratar muitas vezes de uma característica intrínseca da própria pessoa, porém o professor que quer dar o seu melhor em sala pode se dedicar a melhorar nesse quesito também. Um bom exercício é gravar-se lecionando. Você pode se surpreender em como a sua voz é ouvida pelas pessoas!
Precisamos prestar atenção também em nossa expressão não-verbal. Falamos não só através da língua, mas de nossos gestos e postura diante da classe. Mesmo não sendo um especialista em linguagem corporal, consigo muitas vezes perceber sentimentos e atitudes de algum professor simplesmente pela forma como ele caminha pela sala, ou como gesticula, para onde olha, como está a respiração etc. O professor está exposto, entregue totalmente a seus alunos no momento da aula. A integralidade do seu ser está diante da turma, e ele precisa saber comunicar-se da melhor forma.
No fim das contas, logicamente acredito que um professor é medido pela qualidade de seu conhecimento, e pela sua honestidade em repassar tais informações a seus alunos. Mas é inevitável admitir que o meio, a oratória e demais ferramentas similares são parte importante do processo de ensino-aprendizagem. Caso negligenciemos isso, poderemos perder grandes oportunidades, tal qual o programa que assisti – muitos perderam a oportunidade de receber um produto valioso, simplesmente porque sua embalagem não estava apresentável e atrativa o bastante. Deus abençoe a sua vida!

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