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Nenhum professor sabe tudo | Por Gabriel Carvalho

Um dos meus versículos preferidos está no livro de 1 Coríntios, capítulo 8, versículo 2: “Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria.” O Apóstolo Paulo é cirúrgico em dizer tanto com tão poucas palavras. Por mais que nossa vocação magisterial tenha uma certa pompa de que os professores são seres iluminados e dotados de todo conhecimento, precisamos reconhecer que todos, do iniciante ao veterano, têm algo a aprender.

Precisamos reconhecer que existem várias áreas do conhecimento, e é humanamente impossível ser plenamente conhecedor de muitas delas. Um professor PhD em Física precisará sentar nas aulas de inglês e aprender como um novato pueril; um médico especializado em cirurgias de grande porte pode um iniciante nas classes de estudo bíblico; um pastor ou teólogo renomado por vezes terá se matricular na autoescola e receber muitas buzinadas de reprovação ao começar a dirigir pelas ruas.

O reconhecimento de tal fato nos ajuda a entender nosso lugar: a humildade é uma virtude desejada, porém infelizmente não muito vista em nossa classe. Por acharmos que sabemos muito a nossa área de atuação, acabamos nos tornando arrogantes com todo o resto, e qualquer sombra de ameaça ao nosso conhecimento é entendimento como um ataque ou uma ofensa. O fato é que o orgulho nos deixa muito sensíveis quanto aos questionamentos – quem é o fulano pra questionar o que sei?

Um exemplo muito prático do que estamos falando acontece frequentemente em sala de aula: muitos mestre simplesmente tem pavor quanto à ideia de não conseguirem responder a um questionamento de algum aluno. Dizer “eu não sei” é comparado à dor de uma faca penetrando seu peito. Ora, reconhecer suas limitações é um sinal de humanidade, e por mais que fiquemos temerosos em “perder a turma” por conta disso, acharem que não sabemos das coisas, o fato é que muitas das vezes acabamos por “ganhar a turma” ao descermos de nosso pedestal e nos reconhecermos como humanos e limitados. Dizer “eu não sei, mas te garanto que vou pesquisar e trazer a resposta” é uma liberdade para o professor, e um alívio confiante para os alunos, que entendem que seus mestres são também aprendizes. Talvez em outro estágio do conhecimento, mas sempre aprendizes.

O professor que não busca conhecimento está na contramão da essência de sua vocação. No magistério, ficar parado nunca significa estagnação, mas andar pra trás, perder posições. Como assim? Enquanto ficamos parados, todo o resto anda, então a nossa paralisia, na prática, se tornam passos dados atrás. O professor nunca para de aprender, para que nunca pare de ensinar.

Mas o que devemos aprender? Primeiro, logicamente a área de estudos que lecionamos. Na maioria delas sempre há atualizações, novas visões e descobertas, e o professor precisa estar atento a esses movimentos. Mas o mestre também deve aumentar seu conhecimento de outros assuntos, ampliando sua visão de mundo, tornando-se culturalmente mais abrangente. Por mais que tais assuntos diversos não influenciem diretamente o conteúdo que será aplicado, eles serão catalisadores de uma mudança de perspectiva na apresentação da aula, enriquecerá o discurso e as conexões feitas em sala.

Em resumo: a classe dos professores precisa vencer o orgulho intelectual e reconhecer que nenhum professor sabe tudo. Esse é um primeiro grande passo para entendermos nossa vocação e levá-la adiante com o melhor de nossos esforços, dessa forma glorificando a Deus com a atividade de ensinar outros, sempre sendo ensinando também. Deus abençoe a sua vida!

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