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Aleluia! Não estamos abandonados

E, à hora nona, Jesus exclamou com grande voz, dizendo: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? – Marcos 15:34

No grego, a palavra usada é “abandonaste”, que é um pouco mais forte. Jesus clamou “em alta voz” porque Se sentiu abandonado pelo Pai. Certamente foi este o instante mais cruel de todo o Seu sofrimento. Jesus sabia que os Seus discípulos iriam se esconder naquela hora de agonia. Contudo, ele estava certo de que não estaria só, pois “o Pai está comigo”. Mas mesmo o Pai agora também se ausentou. Foi aí que Jesus se sentiu só como nunca.

Mais uma vez nos ocorre a pergunta: que terá acontecido na cruz do Calvário, a ponto de provocar o abandono de Jesus Cristo por Seu próprio Pai? Na resposta, nós descobrimos a essência da obra de Jesus na cruz, bem como o segredo do que ali se passou naquelas três horas de trevas.

Ao apóstolo Paulo confiou Deus a chava deste grande mistério. Leia bem as suas palavras, pois elas estão entre as mais importantes de todas as Escrituras Sagradas:

“Aquele que não conheceu o pecado, ele o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (II Co 5.21)

Na encarnação, Jesus tomou um corpo de carne humana. De aparência normal, Ele se assemelhava a todos os demais homens. Existia, porém, uma diferença: Jesus era um homem que “não conhecia o pecado”. Ele era o imaculado Filho de Deus, apenas “vestido” em forma de carne pecaminosa.

Na cruz do Calvário, e durante aquelas três horas terríveis, Jesus aceitou o pecado do mundo. Como Paulo disse: “Ele o fez pecado por nós!” Esta é uma humilhação pesada demais para que possamos entender; sacrifício sublime demais para atingir a nossa compreensão. Deus se tornou homem por obra do seu nascimento. Agora, ei-Lo tornando-se por amor a nós.

Naquele momento, Jesus sentiu pesar sobre Si todo o pecado do mundo. Sua alma gemia pela distância, pele abismo imenso criado entre o homem e seu Deus. Foi quando Jesus sentiu sua maior amargura, como antes jamais lhe acontecera. Momento em que conheceu a dor que o pecado traz, dor da separação de Deus – sua consequência inevitável.

 Do fundo de sua alma, em alta voz, Jesus clamou: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” Mas ele bem conhecia a razão: Deus nada tem a ver com o pecado. E quando Jesus “se fez pecado”, Ele sentiu a imensa distância que essa condição criava.

Naquela cruz, todas as mentiras de todos os homens foram lançados sobre Seus ombros. Toda imoralidade, toda crueldade, toda traição. Pedro escreveu “Carregando Ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1 Pe 2.24). Foi isso o que aconteceu aquelas três horas. Essa foi a razão de ter Cristo usado a palavra “Deus” em lugar de “Pai”. Essa, sim, foi a verdadeira agonia da Cruz.

ABANDONADO DE VERDADE?

Deus não abandonou seu filho. Em lugar algum da Bíblia há tal afirmação. O que aconteceu, isto sim, é que Jesus “Se sentiu” abandonado. Abandono que na realidade não sucedeu. O que Jesus sentiu foi a solidão não Sua, mas do pecador, longe do Pai. Pois em momento algum foi Ele abandonado.

Abandonou Deus, por acaso, a Seu povo Israel, por mais pecaminoso que se tenha tornado? Nunca! Mesmo naqueles dias em que sacrificou seus próprios filhos nos altares idólatras do deserto, Ele permaneceu fiel à Sua promessa de não abandonar Seu povo (IS 63.9).

Será que o “Bom Pastor” ignora a ovelha perdida para ficar com as noventa e nove que estão em segurança? Não! Ele deixa as que estão no aprisco e vai buscar e salvar a que está perdida. A Bíblia toda é testemunho vivo do amor de Deus para com o pecador.

Se fosse o pecado a razão do abandono por parte de Deus, quem, então, entre nós, sentiria jamais a Sua presença? Demasiado fácil é interpretar as palavras de Jesus como fato consumado, mas o Espírito ilumina a letra, reafirmando o amor incondicional de Deus Pai, tanto para o pecador quando para o filho desviado, e até mesmo para Seu próprio Filho, Jesus.

Aleluia! Não estamos abandonados. No momento de desobediência sentimo-nos longe de Deus. Qualquer pecado nos distancia do Pai. Foi justamente essa distância que Jesus sentiu na cruz, quando Se fez pecado por nossa causa.

Jesus levou nossos pecados à cruz do Calvário. Ele se fez pecador, para que pudéssemos pedir e receber o perdão de todas as nossas culpas. Essa é a mensagem do Evangelho. Esse, o significado da quarta palavra de Jesus ma cruz: “Deus meu, Deus meu,  por que me desamparaste?”

Você que se encontra longe de Deus, volte para seu Pai. Ele nunca o abandonou. Ele está tão perto como sua palavra de confissão e fé. Deixe, pois, que Jesus seja o seu Salvador, e Deus o seu pai.

Sete dias, sete palavras - Roberto McAlisterTrecho do livro “Sete dias, sete palavras”, de Roberto McAlister, lançado pela Anno Domini em 2010. Esta obra transmite ao leitor realidades profundas a respeito do Salvador do mundo, pela análise de frases e expressões pronunciadas pelo Cordeiro de Deus em seus dias antes da crucificação e no momento em que pendia na cruz.

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