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Série “As sete leis do ensino” – 4) A lei da comunicação

Pois bem, você chegou até este texto e agora (espero) irá lê-lo até o fim. Eu e você devemos agradecer esse fato a algo que foi imprescindível para que este nosso encontro acontecesse: a comunicação. De alguma forma nossa competente equipe de marketing digital publicou o texto no site, colocou uma imagem sugestiva, divulgou o link nas redes sociais, que foi devidamente compartilhado e, de alguma forma, chegou até você. O papel da comunicação é exatamente este: facilitar o caminho para que a informação chegue até os receptores necessários. E na sala de aula não é diferente.

Howard Hendricks, a grande inspiração dessa série de textos sobre as sete leis do ensino, nos informa que a (boa) comunicação é imprescindível para um produtivo processo de ensino-aprendizagem. Quantos de nós já não ouvimos (ou mesmo testemunhamos) professores que demonstravam altíssimo grau de conhecimento da matéria, contudo “não sabiam passar” o conteúdo? É possível ter um grande tesouro dentro de si, mas não ter competência para informar isso aos demais.

A comunicação consiste em uma equação simples: pensamento + sentimento + ação. Ou seja, comunicar-se de forma eficiente envolve algo que conheço, algo que sinto, e algo que pratico. Olhando por esse prisma, podemos perceber que os professores mencionandos anteriormente, que sabem muito mas não conseguem repassar o conhecimento, se restringem ao primeiro fator da equação – o pensamento. Conhecer é fundamental, mas é só o início do processo. Dessa forma, não há aprendizado sem conhecimento. Mas o conhecimento precisa ser levado até as mentes dos aprendizes por meio de veículos decodificáveis e propícios ao perfil dos alunos.

A comunicação envolve ainda algo que sentimos. Um professor não pode ser imparcial quanto ao conhecimento que partilha. O distanciamento frio do professor em relação ao conteúdo que ensina implica um aparente não comprometimento. Você pode estar certo que os alunos logo percebem quando um professor ensina algo que não acredita, ou que não está profundamente envolvido. Boa parte da comunicação no ensino passa pela paixão, pelo “brilho nos olhos” com o qual o professor ensina. Seja isso bom ou ruim, seus sentimentos estarão envolvidos no seu magistério. Devemos então utilizá-los da melhor forma, para o bem dos alunos.

O último fator da equação da comunicação aponta para a necessidade da ação. Um conhecimento meramente passivo ou irrelevante não terá o impacto necessário para que o aluno absorva aquele conhecimento de forma satisfatória. É necessário que haja engajamento, que o aprendiz veja o quanto aquilo é importante em seu cotidiano, ou mesmo o quanto a prática daquele conhecimento pode ajudar a melhorar sua vida de alguma forma. Para isso, o próprio mestre deve dar o exemplo e indicar aos alunos a funcionalidade prática de tais ensinos, a fim de que os alunos finalmente digam: “Ah, agora eu entendi pra que serve isso que aprendi”.

Há um velho adágio que diz “Você pode levar o cavalo até a beira do lago, mas não pode obrigá-lo a beber”. Hendricks propõe uma atualização dessa frase: segundo ele, isso é verdade, ninguém pode obrigar alguém a fazer algo, mesmo no processo de ensino-aprendizagem. Contudo, o professor pode usar outra tática: ele pode “dar sal” a esse “cavalo”, de forma que ele sinta sede e deseje, por si só, beber da água do lago. O professor que utiliza bem sua comunicação será instigante o suficiente, mostrando a sua matéria de forma tão apaixonante e vigorosa que instilará uma curiosidade inquietante, que fará com que seus alunos busquem mais, aprendam mais… é o “sal” fazendo efeito e gerando essa sede de conhecimento.

De forma prática, o professor pode se aprimorar no aspecto da comunicação investindo mais na preparação e apresentação da aula; o problema da maioria dos professores não é com quantidade de conhecimento – geralmente sabemos os conteúdos de forma satisfatória – mas com a forma com que essa matéria é apresentada. Além disso, devemos incentivar mais a participação dos alunos, para que ouçamos suas dúvidas, suas linhas de raciocínio, para enfim orientá-los, “falando a mesma língua” e conseguindo nos conectar por meio de uma boa e eficiente comunicação. Que Deus nos ajude nesse processo, e que sejamos melhores comunicadores a cada dia. Deus abençoe a sua vida!

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