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Série “As sete leis do ensino” – 2) A lei do aprendizado

Em meu último texto (veja clicando aqui), iniciei uma série denominada “As sete leis do ensino”, baseada no livro de Howard Hendricks, “Ensinando para transformar vidas”. A segunda lei, que abordaremos neste texto, é a lei do aprendizado. Qual é a importância de nos preocuparmos com o nível (ou a forma) com que nossos alunos estão aprendendo? Ora, creio ser isso algo essencial, que precisa estar na mente de todo mestre dedicado a proporcionar a melhor experiência de ensino possível.

Hendricks resume essa lei na seguinte frase: “A maneira como os alunos aprendem deve ser a maneira como devemos ensinar”. O foco do processo educativo é a formação do aluno. A aula não é um calibrador para inflar o ego do professor, nem para mostrar o quanto ele sabe e o quanto ele deve ser admirado, mas, antes de tudo, o magistério é um serviço abnegado em prol do crescimento do aluno. Os nossos diplomas, teses de doutorado, reconhecimentos acadêmicos, estão todos sujeitos ao rendimento e apreensão do conteúdo pelos alunos.

Abraham Maslow definiu muito bem a caminhada do processo de aprendizagem. O professor deve guiar o aluno por alguns estágios até o alcance do real aprendizado. Segundo Maslow, iniciamos no estágio de ignorância inconsciente – não sabemos de algo e não temos ideia de que somos ignorantes a respeito daquilo; o próximo estágio é a ignorância consciente – não sabemos ainda a respeito daquele algo, mas já temos ideia disso; o terceiro estágio é o conhecimento insconsciente – quando começamos a aprender sobre aquele algo, porém esse conhecimento ainda não é internalizado (muitos alunos param por aqui, restringindo-se a estudar por meio da “decoreba”, sem entender o assunto de fato); e o último estágio, aquele que deve ser o alvo do processo de ensino-aprendizagem, é o conhecimento consciente – quando passamos a conhecer algo, e esse conhecimento é internalizado e passa a fazer parte de nós organicamente.

Como podemos guiar nossos aprendizes nessa jornada de conhecimento? O processo é árduo, mas podemos nos utilizar de algumas premissas para alcançarmos tal resultado. A primeira delas é: não fazer pelo aluno o que ele pode fazer sozinho. A nossa tendência de entregar “tudo mastigadinho” para os alunos, em certa medida, acaba por deixá-los mal acostumados. Eu chamaria de “os mimados educacionais”. É importante que o professor exija dos alunos algum grau de empenho e disposição próprias em alcançar o conhecimento. Isso implica em pesquisas em casa, apresentação de trabalhos etc, formas de fazer com que o cérebro continue funcionando para além do período de aula.

Outra premissa importante é pensar: o que o aluno faz com o que aprende. Aprendi diversas fórmulas de Física e Química na escola. Não lembro de nenhuma delas, e elas não fazem diferença visível na minha vida. Você poderá dizer: “Mesmo que você não veja, essas fórmulas e princípios estão em ação a todo momento em nosso planeta!”. Eu concordarei com você! Só faltou combinar com os meus professores do Ensino Médio, que não conseguiram demonstrar a importância disso para as nossas vidas, resumindo-as a um processo de decorar fórmulas para a prova. O conhecimento deve ser transformador para o aluno, de forma que seja prática e útil no seu cotidiano.

A grande conclusão a que chegamos ao avaliar essa segunda lei do ensino repousa no fato de que a eficiência do professor não se mede pelo que ele próprio faz, mas pelo que os seus alunos realizam. O termômetro do sucesso de um mestre está na trajetória bem-sucedida (não necessariamente de natureza financeira) e influente de seus alunos. O legado do professor não deve se prender em “fazer um nome” para si, mas em formar gente capaz de transformar suas realidades por meio do conhecimento. Isso é honrar a segunda lei do ensino, moldando nosso ensino pela forma com que nossos aprendizes aprendem melhor. Deus abençoe a sua vida!

Gabriel Carvalho

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