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Respiração Radical | Por Walter McAlister

Na minha tentativa de surfar melhor (que parece uma intenção que será sempre frustrada), comprei um vídeo chamado “Yoga para Surfistas”. Era uma série de exercícios de alongamento sem os “saramaleques” que geralmente acompanham a modalidade. O engraçado é que não me lembro de quase nada do vídeo exceto por uma frase da professora. Ela dizia: “Enquanto ainda estiver respirando, está fazendo o certo.” Pra mim é muito engraçado ouvir isso, pois imagine que se alguém deixar de respirar, é claro que algo está muito, mas muito errado. Pois, respirar é viver.

A questão é esta: respirar é um dos atos mais inconscientes, e ao mesmo tempo mais essenciais para viver bem, ou para sequer viver. Sem respirar, morreremos. Agora, quando alguém tem um problema com a respiração, é motivo de comentário e reclamação. Ninguém diz: “Uau, hoje estou respirando muito bem.” A sua existência continua é tida como algo natural, algo que não merece maiores elogios ou atenção.

Ninguém respira de maneira extraordinária. Não há atletas que se especializam em respiração. Não existe, portanto, respiração radical (razão pela qual o título deste post não faz tanto sentido assim). É simplesmente esperado de todo bom atleta que a respiração seja adequada à sua modalidade. O fundista respira de maneira esforçada por muito tempo. O atleta que corre apenas cem metros rasos respira com mais intensidade, mas por menos tempo. Simplesmente, nossa troca de oxigênio por dióxido de carbono é compatível com o nosso esforço.

Recentemente, ouvi a história de uma pessoa que comprou um Rolls Royce. Após receber o seu carro caríssimo e de altíssimo luxo, notou que no manual do carro não havia qualquer menção da potência do carro. Não havia registro de quantos cavalos de força o carro tinha. Ele então ligou para a revendedora e ninguém sabia informar. Finalmente, mandou uma carta formal para o fabricante. O comprador estava intrigado pelo fato de não haver qualquer menção disso e agora ele queria saber qual era a potência do seu Rolls Royce. Dias depois, ele recebeu a resposta oficial em papel timbrado com letras douradas. “Caro cliente, a potência do seu carro é adequada. Sem mais… Rolls Royce.”

Há coisas na vida cristã que são absolutamente fundamentais para a vida saudável e normal. Uma leitura das Escrituras é fundamental. Oração é vital. Comunhão cristã é uma necessidade óbvia para a carreira cristã. Quanta leitura, quanta oração e quanta comunhão são necessárias? O suficiente para vida e paz. Caso sua modalidade seja pastoral, a necessidade é maior. Se for viver numa vida corrida de trabalho empresarial, há uma necessidade condizente. Não existe cristãos radicais, tal qual há surfistas especializados em ondas gigantes. Todos os membros do corpo de Cristo têm como alvo glorificar a Deus pela sua vida. Cada um enfrentará desafios maiores ou menores. Há cristãos que terão que sacrificar tudo pela sua fé, pois vivem em países onde a Igreja é duramente perseguida. Outros vivem e até ministram em lugares mais amenos. As tentações ainda existem. Mas suas formas e condições serão diferentes.

Em tudo, temos que continuar a respirar a presença de Deus. Isso é fundamental para a vida e paz. Sem isso, não há vida. Temos que permanecer na prática da sua presença, no cultivo da consciência de estarmos perante o seu rosto, 24 horas por dia. Fazendo isso, manteremos o tônus da nossa vida. Usando uma imagem bíblica, manteremos óleo no nosso candeeiro. Só os tolos não o fazem. Mas, os sábios sabem que temos que vigiar e orar sempre. É o que sustenta a vida.

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