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Quem mexeu no meu giz? | Por Gabriel Carvalho

O livro “Quem mexeu no meu queijo?” é um best-seller que conta uma história de 4 personagens em busca de queijo. O desenrolar da história vai mostrando os traços de personalidade de cada um conforme o queijo vai acabando, a necessidade de buscá-lo em outros lugares etc. Um personagem intrigante é Hem: ele tem medo das mudanças, e não consegue aceitá-las. Mesmo quando o suprimento de queijo naquele lugar em que visitavam acabou, ele continua indo até o mesmo local, na esperança de que encontre ali mais uma vez o alimento.
Quantos professores não são como Hem? A classe do magistério é especialmente nostálgica: “No tempo em que comecei a lecionar…”; “Antigamente as coisas eram assim…”; “Essas tecnologias não cumprem o objetivo…”; ou a mais clássica “A minha aula é cuspe e giz e pronto…”. Alguns queridos mestres adotam o lema irreversível – “Em time que está ganhando não se mexe”, e, com isso, acabam por lecionar da mesma forma por anos a fio, sem perceber que, dessa forma, o “time” não necessariamente está mais ganhando.
As mudanças em nosso mundo estão cada vez mais velozes, e precisamos estar antenados o máximo possível com tais transformações. O quadro era negro, depois virou verde, depois branco. O giz deu lugar às canetas. Agora tudo isso parece dar espaço às lousas interativas, que poderão, em um futuro próximo, ser substituídas por outra tecnologia mais avançada. Os computadores e smartphones já são realidade – em vez de tratá-los como inimigos em sala, precisamos achar meios de torná-los nossos aliados. Não adianta brigar com algo que é mais forte que você, querido professor: por mais anos de carreira você tenha, e prestígio nos locais que você trabalha, a queda de braço sempre vai ter um ganhador, e não é você.
É certo que determinados princípios educacionais são atemporais, mas os professores precisam entender que os alunos de hoje são em muito diferentes dos alunos das décadas passadas; que as tecnologias não são mais uma opção ao ensino, mas instrumentos invariavelmente essenciais para o aprendizado; que determinados métodos estão ultrapassados e precisam ser revitalizados. A figura do professor de jaleco branco, com o bolso cheio de pó de giz, já não encontra lugar em sala em pleno século XXI (os alérgicos a giz, por sinal, agradecem!).
Nossa geração está conectada. Um professor que não percebe isso, e ainda persiste em eliminar todo tipo de tecnologia na construção de sua aula acaba se tornando anacrônico, e, de alguma forma, menos interessante aos alunos da atualidade. Uma premissa do magistério é a constante atualização. É possível manter a qualidade, os princípios, a solidez de conhecimento, e aliá-los à tecnologia, de forma que esta potencialize o aprendizado dos alunos cada vez mais conectados.
Por outro lado, precisamos reconhecer que esses recursos são apenas um meio, e não um fim em si mesmos. Não adianta o mestre contar com a mais alta tecnologia de ensino se estiver vazio de conhecimento; a tecnologia não faz nada sozinha – ela somente alcança sua plenitude de atuação em um professor altamente capacitado em sua área de ensino, tanto no conteúdo quanto no manejo de instrumentos para o aprendizado.
A sala de aula dos nossos tempos pode ser bem diferente daquela que estávamos acostumados, mas uma convicção eu tenho: seja qual for o formato, as tecnologias e avanços envolvidos no ramo do ensino, a figura do professor será sempre importante. Por mais veloz que seja a informação digital, o fator humano, o olhar, a expressão não-verbal, o exemplo personificado daquele ser humano de pé em frente a classe ainda é, e sempre será, o diferencial para a turma.
Portanto, querido professor, não brigue com as mudanças dos recursos didáticos – torne-se amigo delas, a fim de que elas sirvam para que sua aula seja ainda mais proveitosa e marcante na vida de seus alunos. Não aja como o Hem, do livro que mencionamos no início – seja capaz de absorver bem as mudanças e trilhar novos caminhos, a fim de que você e seus alunos possam experimentar novas dimensões de aprendizado. A tecnologia pode ser importante, mas o professor será sempre indispensável. Deus o abençoe!

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