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Quais recursos devo usar em uma aula de EBD | Por Gabriel Carvalho

Seguindo nossa série de textos sobre o plano de aula, o próximo assunto que devemos abordar são os recursos utilizados em sala. Tendo já definido todos os passos anteriores, o planejamento de uma aula deve englobar a escolha criteriosa dos recursos, a fim de facilitar e engajar a turma no processo de ensino e aprendizagem. Para tanto, trataremos de conceitos importantes sobre os recursos, e analisaremos os principais, dos mais clássicos aos mais modernos e tecnológicos.

Antes de verificar os recursos em si, precisamos entender que essa escolha é importante porque ela define a forma como o professor apresentará esse material. E a forma, apesar de não ser essencial, é fator importante para uma melhor absorção do conteúdo. É certo que, se não houver conteúdo no professor, não haverá recurso suficiente para ensinar por si só, porém se esmerar na melhor forma de apresentação do material é imprescindível nessa experiência de classe.

O objetivo dos recursos deve ser o despertar e a conquista da atenção dos alunos, de forma que estes apreendam melhor o tema a ser ensinado. Contudo, um erro comum é achar que os recursos são um fim em si mesmos, quando, na verdade, são apenas um (importante) meio que exerce papel prático e secundário. Quantas vezes você já não presenciou (ou aconteceu com você mesmo) algum professor ficar completamente perdido porque os slides não funcionaram na hora, ou algum vídeo que estava preparado não pôde ser transmitido? Esse deve ser um ponto de atenção.

Os recursos possuem algumas vantagens: eles promovem mais interesse e atenção: em nossa geração multimídia do século XXI, comprovadamente a utilização de recursos que explorem mais de um sentido do corpo (visão, audição, tato etc.) acabam tendo um melhor resultado no processo de ensino e aprendizagem. Outra vantagem é a possibilidade de objetivação do conteúdo, evitando que o mestre se perca em subjetividades e teorias destoantes do cerne daquele assunto. Contudo, os recursos possuem limitações – por vezes ele pode dificultar o diálogo, ou mesmo tolir a imaginação, uma vez que tudo estará resumido e sintetizado (no linguajar popular, “mastigado”) demais para os alunos, limitando a capacidade imaginativa dos aprendizes.

Tendo dito isto, passemos à análise dos principais recursos. O primeiro e mais clássico deles é o quadro. E, nesse caso, dependendo da sua idade, ele já pode ter sido negro, verde ou branco! Mas o que devemos ter em mente é que trata-se de um recurso amplamente utilizado por décadas a fio, então existe algo importante na utilização do quadro e no aprendizado. Quando pensamos nesse recurso, há alguma informações práticas importantes a se considerar: o tamanho, estilo, espessura e tipo de letra utilizados; a necessidade de seguir linhas regulares (sem “subir ou descer morro” quando escreve); dizer oralmente o que se escreve (para trabalhar os diversos sentidos, como já dito); usar diferentes cores; evitar das as costas para os alunos (tentar sempre manter contato visual).

O avanço tecnológico trouxe muitas facilidades no que tange aos recursos didáticos. Podemos citar a utilização de documentos gráficos (fotos, desenhos, cartazes, livros); recursos externos (ida a museus, bibliotecas, cinemas, teatros, exposições); o uso do projetor multimídia, para apresentar slides ou vídeos em sala. Gostaria de me deter nesse último recurso, pelo fato de ser muito utilizado em nossos ambientes de aprendizado ultimamente.

É certo que os slides tomaram conta do processo de plano de aula de nossos mestres. Muitos já o utilizam como recurso-padrão, porém precisamos traçar algumas diretrizes importantes: eles precisam ter legibilidade e clareza – é comum ver slides com letras muito miúdas, que dificultam a leitura pelos alunos; precisam ser simples – muitos perdem tempo “floreando” o slide com detalhes aqui e acolá, o que acaba perdendo o foco do aluno no material principal a ser exposto; precisam ser uma síntese – outro erro comum é achar que os slides são o seu esboço de aula (isso faz com que o professor se prenda a ler o slide, tornando a experiência de aprendizado menos rica); por fim, é necessário haver uma relação de imagem-fundo e cores – deve haver um bom contraste para que as pessoas possam entender de forma plena o que está escrito ou disposto nesses slides.

Quanto mais recursos temos, mais desafios. A pluralidade de opções a utilizar muitas vezes confunde alguns mestres, que desejam aplicar tudo de uma vez, e acabam não aplicando nada direito. Que essa etapa do plano de aula seja um momento de reflexão: pense no que será melhor para os seus alunos. Você vai se surpreender com o fato de que, dependendo da aula, do conteúdo e dos próprios alunos, um ou outro recurso será melhor e mais eficaz. Não existe “receita de bolo”, apenas a sensibilidade de um mestre preocupado com sua turma. Que Deus abençoe a obra de suas mãos!

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