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O professor e seus pais | Gabriel Carvalho

Seguindo a análise da figura do professor e seus diversos relacionamentos, falaremos no presente texto sobre a importância e relevância dos pais de alguém envolvido no magistério. Como a relação com os pais podem influenciar na vocação do mestre? Filho de professor necessariamente será um professor? E aqueles que não tiveram pais (ou não tiveram boa relação com seus pais). Aparentemente algo simples e secundário, veremos como tal relação é imprescindível para a formação do caráter e das preferências vocacionais do professor.

Precisamos começar abordando o incontestável fato de que pais presentes, comprometidos e solidamente afetuosos têm muito mais probabilidade de educar e desenvolver filhos (e potenciais professores) de forma mais frutífera e sadia. Tive a graça e o privilégio de estar enquadrado neste grupo: meus pais se dedicaram ao máximo para que eu me desenvolvesse educacionalmente, estando felizes com o fato de que eu os ultrapassei em formação intelectual. É um prazer para os pais ver os filhos “decolando” rumo à formação vocacional e profissional. Além desse esforço em prol da educação, houve investimento em formação de caráter. A mera aquisição de conhecimento intelectual é inócuo se não for acompanhado de um caráter forte, e isso é, em grande parte, gerado e cultivado pelos pais.

Nem sempre os filhos seguirão a vocação de seus pais. Muitos se frustram quando são obrigados a seguir a carreira de seus pais. Tendo identificação profissional ou não, o fato inconteste é que a vocação dos pais influencia de forma importante a visão dos filhos a respeito de suas próprias vocações. É comum que um professor que tenha um pai advogado seja influenciado pela paixão com que este defende suas causas; ou que outro que tenha uma mãe engenheira se inspire com o raciocínio e a forma de se relacionar desta. Mesmo que as profissões sejam muito distintas, há influência, porque isso não depende de habilidades técnicas, mas de admiração pela pessoa, em sua integralidade, inclusive no seu aspecto vocacional/profissional.

Porém, precisamos afirmar, para nossa tristeza, que nem todos tiveram a oportunidade de conviver com seus pais, por motivos diversos. Ou mesmo alguns não possuem uma boa relação com eles. O que fazer nesses casos? Um professor enquadrado em alguma hipótese destas será um pior profissional por conta disso? Precisamos reconhecer, como já falado, o grau de importância e influência de pais presentes e comprometidos com o desenvolvimento de seus filhos, porém os mestres que não tiveram essa oportunidade precisam encontrar pessoas em quem se espelhar, gente próxima que admira, para que assuma esse papel. Todos precisam de exemplos, de figuras em quem se espelhar. De repente um tio, uma avó, um professor querido que já teve, um amigo mais experiente… são muitas as possibilidades. Precisamos pensar em quem devemos nos espelhar, ou de quem seguiremos o exemplo.

Tendo entendido o papel primordial dos pais na vida dos professores (e de qualquer outro ser humano), precisamos estar atentos para que nós sejamos, em primeiro lugar, também, bons pais para nossos filhos, e saibamos influenciá-los e incentivá-los a crescerem de forma madura e consistente. Precisamos replicar bons exemplos para que sejam gerados bons cidadãos, e tenhamos uma sociedade consciente de suas aptidões, direitos, deveres e responsabilidades. O desafio é contínuo. E reconhecer a importância dele é o primeiro passo. Deus abençoe a sua vida!

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