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A LÓGICA SE FEZ CARNE | Por Marcelo Maia

Há algumas semanas, escrevi um artigo intitulado “Assaltaram a Gramática”. Hoje, ao sentar-me para escrever sobre Lógica, fui tentado a continuar com a letra da música que inspirou o título citado. E ficaria assim: “Assassinaram a Lógica”.

Pensando bem, mais pareceria página policial. Assaltos, assassinatos… muita violência! Por que não um título mais teológico? Afinal, este é um blog de seminário. E aí está: A Lógica se fez carne (Jo.1.14).

Talvez você tenha estranhado, pois não é isso que consta em nossas Bíblias. “Palavra” e “Verbo” são os termos mais comuns que aparecem no primeiro capítulo de João, já no v.1. No entanto, a palavra grega que João emprega é logos, de onde deriva lógica.

Comenta Gordon Clark1:

Qualquer tradução de Jo.1.1 (e de Jo.1.14) que obscureça esta ênfase sobre a mente ou a razão é uma má tradução. E se qualquer um contesta dizendo que a ideia de ratio ou debate obscurece a personalidade da segunda pessoa da Trindade, deve então alterar seu próprio conceito de personalidade. No princípio, portanto, era a Lógica.”

Mas, o que significa logos? E como a lógica dá testemunho de Deus?

Para os gregos (v. Heráclito de Éfeso), Logos era o princípio ordenador do universo; uma espécie de inteligência cósmica que ordena e sustenta toda a realidade. João, portanto, está dizendo que esse princípio ordenador e sustentador do universo não é uma força, mas uma pessoa. E essa pessoa habitou entre nós cheia de graça e de verdade.

De forma bem simples, podemos pensar na lógica como sendo “a ciência e arte de pensar corretamente” (James B, Nance. Introductory Logic: Canonpress.). O que é pensar corretamente senão pensar de forma ordenada com o fim de se alcançar a verdade?

Deus, ao criar todas as coisas, falou e ordenou o universo, estabeleceu leis físicas, inaugurou o tempo cósmico e implantou no ser humano a capacidade de pensar sobre e ordenar o mundo criado, chegando à verdade.

Deixe-me fazer uma observação: não estou dizendo que pessoas se convertem pensando corretamente. A conversão é uma obra espiritual! Porém, como fomos criados à imagem e semelhança de um Deus que tem pensamentos, que tem intelecto, podemos pensar de modo lógico e estabelecer verdades, ainda que nossas mentes estejam manchadas pelo pecado original.

Alcançamos a verdade, por exemplo, quando enunciamos uma lei matemática. A matemática é a linguagem da lógica ordenadora da criação e, portanto, é parte da linguagem divina. Agora, submeter-se de coração a este Deus criador, redentor e santificador é outra coisa!

Voltando…

Deus é a fonte de toda verdade. Como bem leciona Gordon Clark2:

De maneira geral, os cristãos, mesmo aqueles não instruídos, entendem que a água, o leite, o álcool e a gasolina congelam em temperaturas diferentes porque Deus os criou dessa forma. (…) Portanto, por trás do ato da criação existe um decreto eterno. Foi propósito de Deus que existissem tais líquidos, e, assim, podemos dizer que as particularidades da natureza foram determinadas antes de sua existência. Similarmente, em todas as outras variedades de verdade, Deus deve ser considerado soberano. É seu decreto que estabelece uma posição como sendo verdadeira e outra falsa. Quer seja ela física, psicológica, moral ou teológica, é Deus quem a fez dessa forma. Uma proposição é verdadeira porque Ele a pensou dessa forma.” (grifos nossos).

Assim sendo, quando, por meio da lógica dizemos que 2 + 2 = 4, ou “Se Jesus é o Senhor, Jesus é o Senhor”, estabelecemos a verdade e essas leis lógicas não são criações humanas, mas são o próprio Deus pensando. Segue-se, portanto, que “a Lógica deve ser considerada como a atividade da vontade de Deus”3.

Quando Jesus diz que ele mesmo é a verdade (Jo.14.6), essa afirmação está em perfeita harmonia com o que o evangelista expôs em seu prólogo. A Lógica que é a verdade se fez carne e habitou entre nós. E se conhecermos a verdade, ela nos libertará. Libertará nossos pensamentos das amarras da mentira, das ideologias e nos capacitará para pensar como Deus pensa.

Em resumo e conclusão, qualquer sentença, confissão, ideia ou proposição que não seja lógica, não é verdadeira e, portanto, não procede de Deus.

2 Idem.

3 Idem.

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