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AS PRIMEIRAS COISAS PRIMEIRO – CONCEITOS ELEMENTARES SOBRE COSMOVISÃO (I) | Por Marcelo Maia

Imagine-se colocando no rosto um óculos com lentes amarelas. Como as coisas se apresentarão diante de você? A resposta óbvia é: amareladas. Ou, pense em alguém que tem miopia e coloca um óculos que possui um grau diferente do que deveria ser usado por essa pessoa. Como será sua visão do mundo? Embaçada.

As lentes dos nossos óculos imaginários irão determinar como o mundo se apresentará a cada um dos que os usam. Essa é uma maneira básica de compreendermos o que é uma cosmovisão, uma visão de mundo. Vemos o mundo por meio de lentes, as quais usamos a todo instante, mesmo sem percebermos isso.

Há quem prefira a ilustração de um mapa ou de uma bússola. Pensando dessa forma, cosmovisão seria uma espécie de guia para nossas ações e para nossos pensamentos.

Quer pensemos em termos de lentes, mapas ou bússolas, o fato é que todos nós temos uma maneira de ver o mundo e a vida. O ponto principal, para nós cristãos, é saber se essa maneira de ver o mundo e a vida estão em conformidade com a Palavra de Deus.

Mas, você pode se perguntar honestamente: A Bíblia não trata apenas de assuntos relacionados à fé, à salvação e à eternidade? O que importa não são as coisas espirituais, tais como a oração, o culto e a comunhão? Ouça a resposta precisa de Albert Wolters:

Todas as variedades de cristãos, apesar de todas suas diferenças, concordam sobre este ponto de uma forma ou de outra. Contudo é necessário enfatizá-la novamente com referência à questão de nossa cosmovisão, porque quase todos os ramos da Igreja Cristã também concordam que o ensino das Escrituras é basicamente um assunto de teologia e moralidade pessoal, um setor privado rotulado de “sagrado” e “religioso”, separado dos amplos assuntos do ser humano, rotulados de “seculares”. As Escrituras, de acordo com esta visão, precisam certamente formar nossa teologia (incluindo nossas “éticas teológicas”), mas são, na melhor das hipóteses, somente indiretamente e tangencialmente relacionadas a assuntos seculares tais como política, arte e conhecimento: a Bíblia nos ensina uma visão de Igreja e uma visão de Deus, não uma cosmovisão.
Este é um erro perigoso. Sem dúvida, nós devemos ser ensinados pelas Escrituras em assuntos tais como batismo, oração, eleição e igreja, mas as Escrituras falam centralmente a tudo em nossa vida e mundo, incluindo tecnologia, economia e ciência. O escopo do ensino bíblico inclui assuntos ordinários “seculares” como labor, grupos sociais e educação. A menos que tais assuntos estejam aproximados em termos de uma cosmovisão baseada honestamente em categorias escriturísticas centrais como criação, pecado e redenção, nossa avaliação destas dimensões supostamente não-religiosas de nossas vidas será provavelmente dominada por uma das competitivas cosmovisões do Ocidente secularizado.1

Percebeu o alerta, o erro perigoso? Se não pensarmos de modo cristão a respeito de toda a realidade, seremos conduzidos por alguma visão de mundo apóstata.

Portanto, sem a Bíblia, nossas lentes estarão embaçadas e sujas por causa de conceitos rivais, seculares. Embora não tenhamos na Bíblia respostas precisas sobre, por exemplo, qual o melhor regime de governo, ou sobre como fazer filmes, ou como construir uma casa, certamente encontraremos no texto sagrado princípios que nortearão nossos pensamentos sobre toda a realidade e nos capacitarão a agir nesse mundo em conformidade com os propósitos de Deus.

1. http://www.monergismo.com/textos/cosmovisao/cosmovisao_wolters.htm

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