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As armas da nossa milícia | Por Walter McAlister

Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão. (2 Cor.10:3-6 NAA)

É uma disciplina fundamental voltar a essa verdade quase todo dia. Somos bombardeados pelo mal, sempre e de todas as direções. A cada nível, seja ele pessoal, social, religioso, ou público, o mal é incansável na sua guerra contra o bem. O mal, que é uma pessoa, claro, é Satanás. Ele é o senhor deste mundo, que a Bíblia diz “jaz no poder do maligno”. Basta parar um pouco e contemplar a indústria de propaganda que nos assedia, as notícias que ocupam os jornais de todas a mídias e as atitudes dos que nos cercam e será impossível não notar a presença constante do mal.

O mal gera confusão, incoerência, violência, mentira, desinformação, opressão, imoralidade, insegurança, medo, raiva e uma infinidade de mazelas. Pior é que provoca os do bem a reagir. Queremos bater em alguém, gritar, xingar até. Queremos revidar, humilhar e fazer algum tipo de violência contra os que perpetram os danos à vida alheia. Quem vive no meio de militantes de todas as persuasões e tem o mínimo de cabeça fica enlouquecido com as falácias absurdas que pessoas usam ao discutir o que não entendem, mas defendem com unhas e dentes. É um mal.

No meio disso a Igreja também está cheia do mal. Afinal, Jesus disse uma vez ao próprio apóstolo Pedro: “arreda Satanás”. Se Pedro que acabava de confessar Jesus como o Cristo pôde no instante seguinte ser inspirado pelo inimigo das nossas almas, é mais do que plausível que nós possamos ser inspirados pelo mesmo mal. Quando contemplo os rumos da Igreja fico de coração partido ao constatar que muito do que se diz e pratica em nome do Pai, de fato nada tem a ver com Deus. Tem a ver com o homem, seus propósitos, seus anseios, desejos e ambições. Como Jesus continuou a dizer a Pedro, o fato de tê-lo chamado de Satanás se deveu literalmente ao fato dele pensar nas coisas dos homens e não nas de Deus.

As armas da nossa milícia, portanto, não se restringem a técnicas de oração ou culto. As armas da nossa milícia são envergadas e usadas por pessoas que necessariamente pensam como Deus pensa e pensam nas coisas de Deus mais do que nas coisas dos homens. Não podemos praguejar em nome de Deus. Não podemos roubar em nome de Deus. Não podemos mentir em nome de Deus. Não podemos manipular em nome de Deus. Não podemos “lacrar” em nome de Deus. Essas não são as nossas armas. São as armas deste mundo. Nossas armas são: oração, mansidão, perdão, proclamação simples e clara e atos claros de justiça. A tentação que o mundo nos lança é “venha para a briga. Bati, agora é a sua vez.” Mas Jesus manda virar a outra face.

Isso é muito difícil. Meu Deus! Como é difícil…

Não podemos ser crentes carnais e vencer essa luta. Temos que ser pessoas que pensam como Deus pensa sobre as coisas. Para isso temos que ser pessoas mais voltadas ao silêncio, à leitura das sagradas letras e à oração. Nossas armas são o capacete da salvação, a couraça de justiça, o escudo da fé, a espada que é a Palavra de Deus (Ef.6). O mundo ridiculariza essas armas, incansavelmente nos chamando para a sua forma de lutar. Muitos cedem à pressão mundana e acabam sendo derrotados, sem desferir o primeiro golpe. Sim, pois assim que você toma uma arma mundana, já está derrotado.

Que graça severa esta! Que luta aparentemente injusta. Mas é a única que Jesus nos ensinou, pois a sua própria vitória foi assegurada quando Ele deitou sobre a madeira e deixou que pregassem suas mãos e seus pés. Quem quiser segui-lo terá que tomar a sua cruz também.

WM

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