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Acerte o passo

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AQUELE QUE DIZ QUE PERMANECE NELE, ESSE DEVE TAMBÉM ANDAR ASSIM COMO ELE ANDOU – (IJoão 2:6)

Esta geração de evangélicos formais (é que também existem os informais, os desigrejados e os não praticantes – meu Deus, mais essa agora!) têm sido vista e usada apenas como um bom mercado consumidor e uma massa eleitoral bem atraente. Para esse mercado vende-se de tudo: Cd’s (a maioria de péssima qualidade), camisetas, chaveiros, caixinhas com versículos bíblicos, enfeites, bijouterias com o nome Jesus, adesivos com frases de efeito… Bem, questões comerciais envolvendo religião e intenções à parte, por vezes tenho a sensação de que a qualquer instante as mesas serão reviradas e as gaiolas abertas, numa nova demonstração divina de purificação do espaço sagrado.

Por conta disso, já flutuei emocionalmente entre a total indignação e a quase incurável angústia. Lamentei com amigos, orei com outros, preguei sobre todo este desdobramento doentio, e cheguei até a imaginar o que aconteceria se alguns reformadores ressuscitassem para ver tudo isto. Imagine John Owen, o célebre pregador inglês que pregava poderosamente contra o pecado e ensinava a mortificar os feitos malignos da nossa natureza, assistindo a um desses programas evangélicos ou presente num desses cultomícios organizados por lideranças evangélicas! Imagine Calvino ouvindo a teologia da prosperidade e constatando que a fome atinge mais de 11 milhões de famílias brasileiras, enquanto toda uma geração de cristãos evangélicos se refestelam em comilanças sem fim e consumo desenfreado! Acho que eles não tolerariam o que muitos cristãos piedosos têm sido capazes de suportar. Certamente fariam uma pergunta: Quem nessa geração está condenando esse pecado? E nos ouviria dizer: Ninguém.

O fenômeno da onda evangélica e eventual adesão religiosa da sociedade, da incorporação de um vocabulário próprio, quase um dialeto, o “evangelicalês”; a exploração comercial e política dessa onda, e todas as demais bizarrices produzidas pela falta de ensino de boa qualidade, nos coloca diante de um fato preocupante: o livro de Deus está perdido e precisa ser encontrado.

Esta geração perdeu o contato com a Palavra de Deus. A tendência e predileção por uma fé sensitiva, despertou na maioria uma aversão subversiva ao que está escrito. A Bíblia se tornou apenas num artefato bastante útil para fundamentar as loucuras espiritualistas de alguns, transmitindo a falsa ideia de que ela seja uma fonte de consulta para magos e feiticeiros engravatados. Na verdade, ela é o pronunciamento do único e verdadeiro Deus ao longo da história, com o propósito de nos “mover do indicativo (quem somos) ao imperativo (o que devemos ser)” como bem disse R. Paul Stevens e Michael Green.

Para alcançar este objetivo, a Bíblia aponta o supremo modelo: Cristo. O texto de João diz que o grande compromisso de quem abraçou a mensagem do Evangelho é o de “andar assim como Ele (Cristo) andou”. Usando Cristo como modelo, observamos quais são os reais fundamentos da prática missional e da devocão (oração, adoração, jejum, silêncio, meditação e etc.). Mas, como sugeriu Dallas Willard, “que Jesus guia os alunos para um curso de mestrado da vida”, olhar para Cristo é de fato encontrar a grande razão da nossa própria humanidade.

Andar como Ele andou também implica em falar como Ele falou; amar como Ele amou; orar como Ele orou; viver como Ele viveu; e ensinar o que Ele ensinou. Sem esse compromisso, não penso que estejamos a abraçar o Cristianismo nem tampouco a pregar o Evangelho.

Com amor e carinho,

Pr. Weber

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